Você vê uma trend divertida. Seus amigos já fizeram. O resultado parece incrível. Você só precisa enviar uma foto. O que poderia dar errado?
Talvez nada.
Participar de uma trend, usar inteligência artificial ou transformar uma foto sua em um personagem não significa que você está fazendo algo perigoso.
O problema começa quando a vontade de ver o resultado faz você clicar sem verificar onde está clicando e o que está entregando.
E existe uma razão para isso acontecer.
Quando sentimos perigo, ficamos atentos.
Quando estamos nos divertindo, nem sempre.
A diversão também pode fazer você baixar a guarda
Imagine duas mensagens.
A primeira diz:
“Sua conta será bloqueada. Clique aqui imediatamente.”
Provavelmente você já aprendeu a desconfiar.
Agora imagine:
“Veja como você ficaria nos anos 80.”
Qual delas parece mais divertida para clicar?
É exatamente aí que existe uma lição importante sobre segurança digital.
Golpes não precisam explorar apenas medo e urgência. Eles também podem aproveitar curiosidade, diversão e vontade de participar do que todo mundo está fazendo.
Isso não significa que a trend foi criada por criminosos.
Uma trend pode ser totalmente legítima.
O problema é que, quando alguma coisa se torna popular, outras pessoas podem tentar aproveitar aquela popularidade.
O golpista não precisa criar a trend
Imagine que uma nova ferramenta de inteligência artificial viralizou.
Milhares de pessoas começam a procurar pelo aplicativo.
Alguém pode criar uma página parecida com a original.
Outro pode divulgar um aplicativo falso.
Pode aparecer um anúncio levando para uma cópia do serviço.
Ou uma mensagem dizendo:
“Essa versão faz ainda melhor. Testa aqui.”
É por isso que uma das primeiras perguntas deve ser:
Estou usando a ferramenta verdadeira?
Não confie em um serviço apenas porque alguém enviou o link em um grupo ou porque apareceu em um anúncio.
Procure a página oficial.
Confira o nome do aplicativo.
Veja quem é o desenvolvedor.
Desconfie de pequenas alterações no endereço do site.
Popularidade não é prova de autenticidade.
E por que esse aplicativo quer tudo isso?
Você encontrou a ferramenta verdadeira.
Ótimo.
Agora vem a segunda pergunta:
As permissões fazem sentido?
Se a função é transformar uma fotografia, é razoável que o serviço precise receber uma imagem.
Mas por que precisaria dos seus contatos?
Da sua localização o tempo inteiro?
Do microfone?
De arquivos que não têm nenhuma relação com aquilo que você quer fazer?
Uma boa regra é:
permissão precisa ter propósito.
Se você não consegue entender por que determinada informação é necessária, vale investigar antes de autorizar.
A regra dos 5 segundos
Você não precisa abandonar as redes sociais nem deixar de participar de todas as trends.
Experimente apenas criar um pequeno espaço entre a vontade de clicar e o clique.
Cinco segundos.
E faça quatro perguntas:
1. É a ferramenta oficial?
Não entre pelo primeiro link que aparecer.
2. Eu confio em quem está recebendo minha informação?
Procure saber qual empresa oferece o serviço.
3. O que estou entregando faz sentido?
Uma ferramenta pode precisar da sua foto. Isso não significa que precise de acesso a todo o resto.
4. Eu ficaria confortável se essa informação saísse dali?
Se a resposta for não, talvez seja melhor escolher outra imagem ou não enviá-la.
Parece pouco.
Mas segurança digital muitas vezes começa exatamente assim:
criando alguns segundos de dúvida antes de uma decisão.
Como isso faz de você um Cyber Hero
Ser um Cyber Hero não significa ter medo da tecnologia.
Significa aprender a utilizá-la sem entregar automaticamente sua confiança.
Você pode usar inteligência artificial.
Pode participar de trends.
Pode se divertir com seus amigos.
Só não deixe a diversão decidir tudo por você.
Quando algo viralizar, lembre-se:
Pare. Confira. Depois clique.
Às vezes, cinco segundos de dúvida são um excelente controle de segurança.
Daniel Porta
CISO | Cyber Resilience Architect | Enterprise & Workforce Resilience
Fundador da iniciativa Be a Cyber Hero Brasil